Já não há desigualdade social.
Já não há murro na mesa.
Já não há exploração, alienação, mais-valia.
Já não há Guevara e Trotski.
Já não há o ódio aos ricos e aos seus porta-vozes
[na imprensa.
Já não há bancos, transnacionais e outras
[sanguessugas.
Já não há discussão com o avô conservador.
Já não há o amor-próprio como aliado
[(provisório?) do povo.
Já não há o sagrado compromisso com o
[partido.
Já não há rivais na mídia para atiçar o
[compromisso.
Já não há o pequeno triunfo contra o debatedor
[desinformado.
Já não há a injustiça como hospedeira do
[ego-que-a-quer-destruir.
Já não há o abandono do diálogo e o pegar em
[armas.
Já não há matar dezenas para se tudo correr
[bem salvar milhões.
Já não há o aplauso do lado certo.
Já não há o pau-de-arara, a tortura e a covardia
[policial.
Já não há o encorajamento mútuo dos
[camaradas quando a dúvida sobrevém.
Já não há deboches entre os que acharam
[diferentes caminhos para o mesmo fim.
Já não há concorrência pela liderança no mesmo
[caminho.
Já não há inveja e trama do herói obscuro
[contra o herói popular.
Já não há a fatal superação do regime do capital.
Já não há realidade nem utopia.
Já não há esperança nem futuro.
Já não há vida pós-morte do herói.
Já não há a indignação contra o fogo amigo do
[poeta.
Já não há não haver.
(Max Lobato)
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