Sorria para as pessoas na rua
e lhes dedique todo dia um gesto afável;
veja as crianças correndo atrás de pipas
com a indulgência de quem revisita a si próprio;
ouça a queixa da moça mal-amada,
apenas ouça, mas, se ela pedir, não lhe negue
[um conselho;
não exclua os doidos e os viciados,
pois são talvez poetas que não conheceram a
[palavra;
esteja sempre prestes a estender a mão a
[alguém;
mas, para o convívio cotidiano,
prefira os gatos.
Ao dar bom dia ao puxador de carro de mão,
lembre-se dos que ele sustenta no topo
e deixe escapar um palavrão de revolta;
não se isole da política pois isto não é possível
( evite apenas os militantes do ego
travestido de causas coletivas);
pratique também a mal-afamada caridade,
pois o estômago não espera pelas eleições,
muito menos pela revolução socialista;
não compactue com os que explodem crianças
[em Gaza
e esteja sempre prestes a estender a mão a
[alguém;
mas, para o convívio cotidiano,
prefira os gatos.
(Max Lobato)
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