sexta-feira, 24 de março de 2023

OITAVA ARTE



No planeta do Pelé, 
a bola vai, como tinta,
riscando o vento no olé,
e o craque pinta, não finta.

Arquiteta-se a jogada,
no planeta do Pelé,
pondo as retas da Esplanada 
entre abóbadas da Sé.

Como explicar ou dar fé
de alguém que esculpe um chapéu,
no planeta do Pelé,
que é bem pertinho do Céu?

Feito esférico pandeiro
costurando o dó-mi-ré,
bate a bola o bom boleiro,
no planeta do Pelé. 

Mas é samba ou é balé
que move o corpo a traçar,
no planeta do Pelé,
giros e curvas no ar?

Uma câmera-padrão,  
no planeta do Pelé,
não rubrica uma ficção,
mal retoca o que assim é.

No planeta do Pelé,
o craque é o bardo em ação, 
pois se um escreve com o pé,
o outro finta com a mão. 

Um dia veio um habitante
do planeta do Pelé:
riu-se a bola nesse instante,
como ri-se uma mulher, 

e dessas núpcias é 
que a prole de maravilhas, 
do planeta do Pelé, 
rodou mundo, correu milhas...

Seu corpo agora deitou,
pois cansou de rapapé, 
mas a alma retornou 
ao planeta do Pelé. 


                           (Max Lobato)









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